Vamos tropicalizar.
Tropicalizar é uma nova expressão a respeito do que o Brasil é pioneiro: a luta pela propriedade intelectual e bens culturais. Ou seja, o que eu sei e o que crio eu não preciso trancar num cofre como alguém egoísta e conservador. Não, eu vou compartilhar com você.
Tropicalizar está diretamente ligado ao Tropicalismo, quase a mesma coisa que canibalismo. Disse Gilberto Gil: "não mais uma mera submissão às forças do imperialismo econômico, mas uma resposta canibal de engolir o que eles nos deram, processar e transformar em algo novo e diferente". Palavras que definem o Tropicalismo.
Ainda hoje o capitalismo gera personalidades egoístas, que protegem suas idéias e só as externalizam ao preço de vendê-las. Não, eu não estou pedindo para nos tornarmos socialistas, estou pedindo para voltarmos a praticar a permuta, assim como os nossos ancestrais, que passavam seus conhecimentos de geração em geração pelo simples fortalecimento e evolução de sua cultura. O que antes era inconsciente, agora pode ser feito conscientemente.
Tropicalizar é tropicalismo em movimento, disse Julian Dibbel, colaborador da revista RAIZ.. "Vamos comer Caetano" já fazia Adriana Calcanhotto. Tropicalizar é o direito de devorar informações sem precisar implorar por elas. É em comum acordo, eu poder comer e digerir Caetano numa relação de igual pra igual e com respeito, ao invés de Rei e servo. Amigávelmente, eu, Paloma, e Caetano, vamos resolver como se dará a minha digestão.
Não estou aqui para falar só de arte, falo de conhecimento, educação, da transferência de dados que acontece no mundo digital, falo do código aberto, através de onde um software livre pode ser lido e alterado por qualquer um, passando mais rapidamente e diversificadamente por uma evolução. Sem essa liberdade, teríamos que esperar uma equipe, a dona do Software, liberar sua nova versão.
Contudo, tropicalizar, transfere suas idéias como um upload. Aqui o plano é trocar, é evoluir.
O Brasil é rato de laboratório do software livre e da Creative Commons (órgão através de onde o atual criador intelectual gerencia seus direitos autorais), tem em seu território artistas criativos, educadores eficientes e pensadores com ampla visão organizacional. Pra mim isso é mais que suficiente pra acreditar que este tropical país é, sim, o país do futuro.