terça-feira, 30 de março de 2010

Negra Flor de Dendê

Quero enrolar-me agora na delicadeza de cachos noturnos
deitando meus rosados seios no contraste sólido de amor diurno
provando do mais preto forte
que encavanhado me sorri tão lindo

Infinto é o gosto de olhar profundo as cores todas juntas em perspectiva
como se em cada ponto invocasse um tom à tona da tua cabocla música
levando um pouco de cada
um pouco de tudo
um pouco de mim.

Rosa amarela, esverdeada, toda de azul
tu tem um roxo, cor de Iansã, tem o vermelho cor da maçã
tem ouro no peito, sol na cabeça, e o meu amor

Oxalá te manda em dia de sexta num passarinho vindo do sul
tece tua seda, tua verdade, teu motivo de vaidade
nos lábios, a carne da fruta, bruta
com beijo quente ao longo da noite nua

Negra Flor de Dendê, seiva divina em meu querer
o que é das marés não roubarei
mas queira ser minha sobre a terra até que o sertão vire mar
e então dormir sobre os corais no abraço de Iemanjá

domingo, 28 de março de 2010

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que dança, que é luta
que luta na dança
da morte em vida
depois da ginga?

 .

sexta-feira, 26 de março de 2010

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instrumento tocado
é mesmo um instrumento dançado
tocar sem dançar
é mesmo dançar sem tocar

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quinta-feira, 11 de março de 2010


Quando danço estou mais perto de Deus.

terça-feira, 9 de março de 2010

É de maré os olhos grandes da mulher

Tenho visto tanta água nos olhos do meu bem
De nadar até o infinito, sem mesmo olhar pra trás
Será peixe, escorpião, carangueijo ou tubarão?
É bem uma sereia, que canta assobiando
feito pife no sertão

Tenho mais nada pra fazer, só ficar rezando
pra essa moça aparecer no meio do rojão
dançar até de dia e terminar na correnteza
levando embora minhas mazelas
que o diabo é feio que só a treva

Cada mergulho na beira da tua pisada
transborda água até minha alma
faz jacaré ficar em pé, e girassol nascer sorrindo
sei não de ficar minguando o rio
só sei de ver teu olho grande se arregalando,
mirando o meu sorriso

quarta-feira, 3 de março de 2010

Eureka!

Uma vez conheci uma garota. Nos dávamos super bem. Tínhamos idéias maravilhosas sobre o mundo para além das 3 dimensões e dos 5 sentidos. Inventávamos teorias, e queríamos aplicá-las no teatro. Um dia eu fui embora. E logo depois ela também partiu. Lugares distintos. Tempos divergentes. Nos encontramos umas duas vezes em diferentes lugares do país. Não éramos mais as mesmas. A comunicação não atingia mais os mesmos orgasmos. Ela falava muito, e eu silenciava demais. Ela estava mais abstrata no dizer, e eu mais concreta no calar. Senti repulsa. Quis fugir.

A lembrança do que éramos juntas a fazia acreditar que eu era a única companhia para a sua solidão. Mas ela não podia ser companhia para a multidão de pensamentos que me habitavam naquele momento.

Hoje tento analisar o que aconteceu. O que nos separou. O que desalinhou nossos planetas, qual das nossas tantas teorias era uma viagem total, ou qual era tão careta que não suportava nosso complexo mundo do sexo verbal.

Acabei de tomar um banho e comecei a entender... Primeiramente, o tempo e o espaço em que nos conhecemos eram tão mágicos quanto nós mesmas. Isso, mágico. Mágico é o que eu diria da física quântica para quem não consegue entendê-la.

Essa garota é feita de saltos, saltos mágicos. Dentro de um processamento que seu cérebro faz, ela não é obrigada a seguir todos os passos como numa sequencia de evolução crescente. Ela é capaz de ultrapassar certas etapas, e mesmo assim chegar na idéia final desejada. Ela funciona como a física quântica. Pode finalizar um plano sem seguir a sequencia, num tempo indefinido, pode voltar pra trás ou não. É como estar em dois lugares ao tempo, na mesma hora se cria o problema, e na mesma hora acha-se a solução. Ou ainda, a solução vem antes do problema. Essa garota fala bastante, jorra palavras, sua comunicação é uma poesia abstrata, como se duas palavras ocupassem o mesmo lugar em seu cérebro. Mas sem a capacidade humana de dizê-las ao mesmo tempo, suas frases soam desconexas.

Sinto-me muitas vezes como ela, mas agora sou só silencio.
Juntas somos um sintetizador. Ela: oscilador 1; eu: oscilador 2. Ela gera sons muito agudos, eu gero sons tão graves, tão graves, que o ouvido humano já não pode mais ouvir. Nossas combinações já não formam mais sons harmônicos como antigamente.

Sinto como se o mesmo que nos aproxima, nos distancia, o que depende é o observador. E quem é que nos observa? O espaço, o tempo, o teatro, cada uma de nós separadamente?

...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Me Perdoo-te.

Estou de volta, São Paulo. Desculpe todo aquele meu desdém. Desculpe a minha ignorância, a minha falta de respeito, meu ódio, minha frustração. Prometo não ferir mais lugar nenhum. Aprendi a amar todos aqueles por onde passei, e tenho certeza que nós duas podemos construir juntas essa relação de troca e carinho. Tentemos mais uma vez. A terceira, embora, na primeira quem me dispensou foi você. Agora estamos quites. Vamos recomeçar.

Aprendi que para amar o que está por fora de mim, é preciso primeiro amar o que está dentro. Que assim seja.