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Que vontade essa de ser, de estar, de beijar o mar.
Mas ser é coisa que já foi. Estar é coisa que já é.
Beijar será sempre meu furor, meu objetivo-amor.
Desejo de curta vida, dissolvido num mergulho profundo,
acabado num pulo de gato.
Sem hora pra terminar, é existente o estalar de um beijo no líquido suor das cavidades profundas de seres marítimos.
Em algum momento, não sabe quando, surge a vontade de um beijo na líquida saliva dos buracos negros de seres oceanicamente azuis.
Não quero ter tempo. O desejo não precisa durar.
Tenho muitas bocas para cantar.
O grito é minha respiração sub-aquática, e seu sopro pode ressoar algumas ondas musicais indo quebrar em algum ponto da superfície.
Beijo e grito. A onda como quadro em progressão. A espumas escorrem, não acabam nunca.
A dança das bocas.
Música e dança, inseparáveis enquanto movimento oportuno do amor.
Agora eu peço, com sua licença, Iemanjá
me dê seu corpo para mergulhar
prometo-lhe um beijo que adoce sua boca
que misture movimento com lugar
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