quarta-feira, 21 de julho de 2010

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tudo pode dançar
até mesmo as palavras
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Aceitando as palavras...

Não sei o que seria até agora do meu blog sem a palavra, mas posso dizer que não sei o que seria da minha vida sem sua ausência.
Elas chegam em tropas. Muitas! As vezes me lembra a ditadura. A rigidez, a cobrança, a prisão.
Mas eu quero mesmo é que venham elas, todas, alucinadas!
Lutarei com fervor, domarei suas ganâncias, tirarei suas roupas, e nuas, me deitarei com elas.
Nada precisará ser dito.
Apenas os corpos, a dança, e o nosso amor será livre.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Ah, o amor!

Eu estava andando pelo bairro da Liberdade aqui em São Paulo domingo passado, e me deparei com dois rapazes tirando fotografias de um jardim. Alguns curiosos se atentavam a olhar para aquele instante. Eu também não exitei. Queria saber o que havia de tão interessante ali para ser registrado. O jardim de fato era bonito, mas não continha muitas cores. Eu consegui reparar que nele tinha um caminho de cimento que dava em algum lugar, e não saber que lugar era esse me deixou surpresa, pois em seu horizonte só se via a Radial-Leste numa distância insólita como a perspectiva que se tem do outro lado de um abismo, onde chegar não é possível. O jardim estava trancado. Sim, me pergunto, era realmente um jardim? Jardins podem ser trancados? Era de uma grade vermelha, e na frente daquele caminho havia um portão, fechado. O caminho começava trancado e terminava no abismo da Radial-Leste. Minha curiosidade cresceu! Eu olhava e procurava...O que estes garotos tanto fotografam? Será que tem algum animalzinho lindo escondido nas folhagens?

Eu estava acompanhada de meu amigo Amadeu, que guardava uma máquina fotográfica e procurava por ali belezas as quais pudesse clicar. Queria apertar o gatilho, mas voltou pra casa sem ao menos gastar uma bala. Ele também olhou com curiosidade para aquele momento, mas virou-se com o discurso de quem não sentira tesão por tal imagem. - Não contém atrativos, só fotografo o que me atrai. Eu pensei: - É, realmente, este jardim não tem um colorido!

Mas que portão é este que nos impede de olhar o abismo na curva daquele caminho de pedras no bairro da Liberdade?

Fico triste quando as pessoas acham que o mundo tem que estar sempre nos dando atrativos para fazermos dele uma arte. A natureza está ali, despida, arreganhada, esperando um clic(zinho) qualquer, e nada.

Esperamos que venha de fora toda uma destreza de amar. Enquanto a simplicidade de um gesto interior pode pintar infinitas tonalidades de verde!

Eu ainda não sei o que aqueles dois garotos fotografavam, pois cada um tem uma lente objetiva do amor. Mas fui embora com o Amadeu sem que ele tenha amado. Fiquei triste por ele.

Eu, continuei procurando o amor, e na minha busca pude olhar no abismo daquele jardim e encontrar a encantadora Marisposa. Desde então meu amor por ela tem destrancado alguns portões da Liberdade.

Foto de Pedro Imenes.
http://picasaweb.google.com.br/pedroimenes