Pinta de estilhaços meu vestido
Corta meu tecido
Fere o que te fere no mais breve frio e seco grito
Tira-me um pedaço de silêncio
e enche de vazio minha poesia mal escrita
Serrilha meus contornos com química de ferrugem
infecta minha seiva e mistúra com tua fúria
interrompe o meu suco
enfraquece os meus músculos
amputa minha raiz
De pétala em pétala
meu cetim retalhado enrrijece
a cada pingo vermelho jorrado
branco borrado de fim
Corre linha dentro de agulha
pelas margens desbotadas
desenha uma costura amargurada
traçado de um drama passional
segunda-feira, 12 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Maria da Conceição
gira forte, gira solta
gira pomba no terreiro
gira pé de curupira
pra voltar de onde veio
gira cedo quando nasce
samba torto é teu enredo
gira sempre no improviso
pra dançar feito guerreiro
...
gira pomba no terreiro
gira pé de curupira
pra voltar de onde veio
gira cedo quando nasce
samba torto é teu enredo
gira sempre no improviso
pra dançar feito guerreiro
...
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Sou de um lugar onde os raios do Sol são raízes de terra fértil
sou exageradamente um emaranhado de fios, tecidos com delicadeza
uma perspectiva de Dali
uma pintura de Bosh
ou uma fotografia do Cariri
Nasci no futuro e morrerei no passado
numa explosão de átomos
onde o Big Bang sentiu orgasmo
Sou aquilo que acorda pra depois dormir
um Dejavu de uma imagem que ainda não se viu
um nó na garganta
um ponto de fuga
uma palavra muda
Nasci de um sonho e morrerei em vida
como madeira em seu único grito
como cigarra em seu último dia
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