segunda-feira, 12 de abril de 2010

30.08.2006

Pinta de estilhaços meu vestido
Corta meu tecido
Fere o que te fere no mais breve frio e seco grito
Tira-me um pedaço de silêncio
e enche de vazio minha poesia mal escrita

Serrilha meus contornos com química de ferrugem
infecta minha seiva e mistúra com tua fúria
interrompe o meu suco
enfraquece os meus músculos
amputa minha raiz

De pétala em pétala
meu cetim retalhado enrrijece
a cada pingo vermelho jorrado
branco borrado de fim

Corre linha dentro de agulha
pelas margens desbotadas
desenha uma costura amargurada
traçado de um drama passional

Um comentário:

Sartre disse...

Do estilhaço no coração escrito,
Como o que feriu saberá
Sem a veia a gritar
Ou as pernas a maldizerem o mundo?

Tem água límpida em sua poesia
Tanta quanta invirgem terra,
Não tema,
Sua raiz terá sempre um viço.

Teus músculos sabem um monte,
Quiçá entenderão as duas coisas
Nestas frases inditas, impróprias.

Ruboresça, flor,
Os pingos resvalam pela terra
E parecem morrer
Tanto quanto a terra fértil mostra.

E o drama remostra-se,
Há tanto tempo não os vemos!
Teu caminho borra no meu.